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MATINÉ HARDCORE & PUNK – TrintaPorUmaLinha + Ervas Daninhas + C-GUN + Mordaça

A Fábrica das Alternativas recebe, no próximo dia 27 de setembro, uma matiné dedicada à cultura underground, reunindo música, fotografia e cinema documental num encontro que celebra a criatividade independente e o espírito DIY que continua a alimentar as cenas punk e hardcore nacionais.
No palco estarão quatro bandas que representam diferentes gerações e abordagens dentro do universo punk e hardcore português.
Os Ervas Daninhas, oriundos do Pinhal Novo, são uma das formações mais persistentes do punk rock nacional. Ativos desde 2001, carregam consigo mais de duas décadas de concertos, edições independentes e uma identidade profundamente ligada ao punk cantado em português. Com uma sonoridade direta, crua e sem rodeios, permanecem uma referência da resistência DIY no panorama underground português.
Os Trinta Por Uma Linha juntam-se a este cartaz trazendo a sua energia e atitude ao palco da Fábrica das Alternativas. De volta ao ativo desde 2020, mantêm viva a cultura punk e hardcore nacional, prometem uma atuação intensa e próxima do público, reforçando o espírito de comunidade que caracteriza este tipo de encontros.
Os C-GUN representam a fusão entre punk, hardcore e thrash metal. Formada por músicos com longa experiência no underground português, a banda cruza agressividade, rapidez e atitude numa sonoridade que recupera a intensidade dos anos 80 e 90 sem perder atualidade. O projeto reúne elementos oriundos de várias bandas da cena nacional, trazendo para palco uma combinação explosiva de riffs rápidos, bateria intensa e energia sem compromissos.
Vindos de Linda-a-Velha, os Mordaça são um dos nomes mais consistentes do hardcore português contemporâneo. Ativos desde 2005, apresentam uma abordagem fiel às raízes do género, com letras em português e uma mensagem assente na resistência, na amizade, na persistência e no inconformismo. Ao longo de duas décadas de atividade, construíram uma presença sólida dentro da cena hardcore nacional.
Paralelamente aos concertos, o público poderá visitar uma exposição de fotografia de Gustavo Lopes Pereira, fotógrafo documental que tem desenvolvido um trabalho consistente em torno da memória, da identidade e das subculturas portuguesas. Entre os seus projetos destacam-se Ultramar, dedicado às memórias das famílias ligadas ao período pós-colonial, e INFAME, trabalho realizado junto dos históricos Mata-Ratos durante as comemorações dos seus 40 anos de atividade. O seu olhar atento e próximo dos protagonistas transforma a fotografia num importante exercício de preservação de histórias e vivências.
A programação inclui ainda uma mostra de curtas-metragens do KINO-DOC, projeto português dedicado à formação, produção e divulgação do cinema documental. Desde 2012, o KINO-DOC tem vindo a promover a criação cinematográfica independente, apoiando autores e realizadores cujas obras têm sido exibidas em diversos festivais e ciclos de cinema nacionais e internacionais. A seleção apresentada nesta tarde permitirá descobrir diferentes olhares sobre a realidade através da linguagem do documentário.
Cinco curtas-metragens acabadas de serem concluídas no âmbito do Curso de Documentário KINO-DOC 2025-26 intercaladas por concertos de punk hardcore. Uma óptima forma de celebrar este curso, cuja edição de 2026-27, inicia-se em Outubro (inscrições abertas, mais informações em www.kino-doc.pt). E assim junta-se o punk ao ethos KINO-DOC “do it yourself” assistido, vindo da mesma cultura.
Eis os filmes dos kino-dockers:
AQUILO QUE É HOJE NÃO É AMANHÃ, de Tiago Ribeiro (13 min)
A Maria é uma jovem albicastrense que vive com o contraste entre o quotidiano da cidade e o cada vez mais raro estilo de vida da aldeia dos avós.
CALL ME VORTEX, de Solvita Vanaga (12 min)
A dança é um vórtice. Ser mulher é um vórtice.
Vivian, uma bailarina estónia que trabalha em Lisboa, movimenta-se através do seu próprio corpo enquanto artista e sujeito – aquilo que cria e aquilo que é constantemente observado. Ao longo de três partes – olhar, vergonha, saltos altos –, ela desvenda o que significa ser observada, trabalhar a vergonha num corpo que é também o seu instrumento, e descobrir como os saltos transformam a forma como se move e como é vista.
SALUSTIANO, de Mariana Fé Bragada (12 min)
“Salustiano” é um documentário centrado num idoso de 96 anos e avô da realizadora, filmado em Grijó de Parada, Bragança, durante a Páscoa de 2026. O filme acompanha o seu quotidiano, contrastado com os rituais e tradições da época pascal — o folar, a procissão, a fogueira de sábado de aleluia —, numa dança entre quem sempre viveu na aldeia e observa a passagem do tempo que a vai transformando.
Afinal, o retrato de um homem é também o retrato de uma aldeia e de um modo de vida em desaparecimento.
LESSONS FROM THE EATERS OF THE MARSH, de Márcia Figueira (11 min)
Uma curta-metragem documental sobre a invasão biológica do lagostim-vermelho-da-Luisiana (Procambarus clarkii) e o fígado canibal do capitalismo.
SEXATRONIKA, de Antea Pamukovic (14 min)
Este documentário acompanha o Sexatronika, um colectivo FLINTA* sediado em Lisboa, durante a preparação, realização e o pós-evento de uma das suas festas. Através deste acontecimento, o filme entra no universo de uma comunidade, explorando a amizade, a colaboração criativa e os desafios de construir um lugar firme na cena musical “underground”.
Mais do que uma simples sessão de concertos, esta será uma celebração da cultura independente, onde música, fotografia e cinema se cruzam num mesmo espaço para dar visibilidade às expressões artísticas que continuam a crescer fora dos circuitos convencionais.
Uma tarde de punk, hardcore, fotografia e cinema documental. Tudo na mesma casa. Tudo na Fábrica das Alternativas.